Desvendando a Galiza
Como se originam os mistérios, os segredos? Isso em si é algo misterioso. No entanto, parece que os habitantes da Galiza o sabem bem. Estas são as chaves reveladas pelo jornal THE TELEGRAPH na sua edição digital, através do excelente artigo «A espetacular região espanhola que os britânicos ainda não descobriram» de Annie Bennett, publicado a 17 de março passado:
«A Galiza é um daqueles lugares onde as pessoas vivem muito bem, mas não sentem necessidade de o anunciar aos quatro ventos — o que poderá explicar por que razão, apesar de ser um destino de férias popular entre os espanhóis, relativamente poucos britânicos chegam até lá.
No canto noroeste do país, delimitada em dois lados pelo Atlântico e separada de Portugal pelo rio Minho, tem aproximadamente o tamanho da Bélgica: cerca de 180 quilómetros de norte a sul. A Galiza assemelha-se mais à Cornualha, ao País de Gales ou à Irlanda do que a outras partes de Espanha, e partilha com elas uma forte identidade regional, com língua própria e herança celta.
A costa acidentada é marcada por profundas enseadas conhecidas como rías, e possui algumas das melhores praias de Espanha. No interior, as exuberantes paisagens verdes resultam de uma pluviosidade mais elevada do que noutras partes do país, mas o sol está praticamente garantido de junho a setembro. É, no entanto, mais fresca do que a Andaluzia e as Baleares, com um calor agradável e não sufocante».
Esta joia escondida é, contudo, bem conhecida de muitos espanhóis que acorrem todos os verões à Galiza de todos os pontos do país — precisamente aqueles que acolhem a maioria dos mais de 80 milhões de turistas que Espanha recebe por ano (2019). Mas há outros segredos escondidos na sombra, longe do sol abrasador de outras costas e da animação que surge entre as ondas. É hora de comer — quem tem apetite?
«A Galiza é uma das melhores regiões gastronómicas de Espanha e, para muitos visitantes, é o principal motivo da sua viagem. No verão, o almoço é geralmente uma mesa à sombra junto ao mar, com uma garrafa de Albariño e um generoso prato de marisco — centola, lagostins, vieiras, amêijoas e mexilhões. Os percebes são colhidos das rochas quando as ondas baixam, por ágeis apanhadores em fato de neoprene — uma grande habilidade, e também perigosa, o que explica o preço elevado.
Mesmo que pense que não gosta de polvo, experimente-o na Galiza, onde é o prato estrela: fresco e tenro, regado com azeite e polvilhado com pimentão. Peça também uns pimentos de Padrón, assados e temperados com sal. Nas Rías Baixas veem-se centenas de jangadas utilizadas para cultivar mexilhões e ostras; a mistura de água doce e salgada cria o ambiente marinho ideal.
A Galiza conta com cinco zonas vitivinícolas, sendo a mais conhecida as Rías Baixas, onde a uva Albariño é cultivada em pérgolas que se estendem pelos dedos de terra recortados que avançam pelo Atlântico. Nestes vinhos brancos percebe-se o sabor do mar, e são o complemento perfeito para o marisco. Faça da bonita cidade de Cambados a sua base e siga uma das rotas do vinho, que incluem património cultural e festivais, bem como vinhas, muitas delas em quintas com imponentes solares de granito».
Há muito mais coisas fascinantes neste canto da Península Ibérica que alguém, pensando nos britânicos, definiu como «a parte do mundo mais parecida com as Ilhas Britânicas, mas com melhor clima e melhores preços». E quase tudo ainda está por descobrir.
